
difícil imaginar uma área que esteja mais associada à
inovação no imaginário popular que a engenharia. Basta pensar em invenções
tecnológicas que já conhecemos de cor, que vão dos computadores pessoais aos
telefones cheios de gadgets, para lembrar do trabalho de engenheiros. Não à
toa, várias instituições estrangeiras têm a cultura de inovação no DNA e
utilizam várias formas de viabilizar as pesquisas em tecnologias do futuro
nesse campo do conhecimento amplo.
Seja nos Estados Unidos ou na Alemanha, os currículos do
curso incluem uma formação básica inicial, que abarca ramos diversos, assim
como fundamentos teóricos em áreas como Física e Matemática. São traços comuns
com o que acontece no Brasil, onde universidades oferecem os dois anos iniciais
como base. O diferencial, entretanto, fica na abordagem dada ao curso: ora um
aporte mais teórico, ora atividades voltadas à prática.
“Em linhas gerais, as faculdades brasileiras têm uma
formação muito mais teórica do que prática. Em Cornell, é exatamente o
contrário, com um ensino muito voltado às aplicações prática”, sintetiza Renato
Souza Sanabria, que fez a graduação em Engenharia Elétrica no ITA (Instituto
Tecnológico de Aeronáutica), e um intercâmbio na Universidade Cornell, nos
Estados Unidos.
O contraste nessas duas formações dentro da engenharia
ficava nítido nas aulas, durante a passagem pela instituição americana. “Todos
os cursos teóricos que fiz em Cornell foram a nível de mestrado e doutorado e
dava pra ver que eu tinha muito mais base matemática do que meus pares.
Entretanto, nas matérias mais práticas, de engenharia mesmo, eles eram muito
melhores”, conta ele.
Diferenças no currículo
Quem deseja fazer pesquisa e trabalhar com inovações na
prática pode contar com oportunidades diversas em universidades estrangeiras.
Não é raro que as instituições ofereçam postos de pesquisa para undergraduate
(alunos que ainda fazem a graduação), estágios de verão e grupos de interesse
campos específicos da engenharia.
Como destaca Renato, comparando a experiência no ITA e em
Cornell, a própria estrutura da instituição muda a relação dos alunos com o
curso. Em universidades americanas, o currículo conta com bastante
flexibilidade, diferentemente das brasileiras, onde a lista de matérias é fixa.
“Na prática, isso significa que existe uma grande competição pelos melhores
cursos. Todo mundo que consegue pegar essas matérias fica mais motivado,
inclusive o professor, criando uma relação aluno-professor e aluno-aluno
positiva”, explica o brasileiro.
Com mais apoio financeiro por parte do governo local, de
agências de incentivo, indústrias e fundações, fica mais fácil ofertar
oportunidades em pesquisa disruptiva. Durante o intercâmbio em Cornell, Renato
conta que teve acesso a um estágio de verão em um laboratório spin-off da
Carnegie Mellon University, trabalhando com Processamento Estatístico de
Sinais.
“Estudei algumas técnicas para otimizar a utilização dos
sensores de um helicóptero da Marinha americana”, explica ele, que trabalhou
com sensores lidar (radar baseado em luz). “Basicamente, servia para permitir
que ele reconhecesse a estrutura 3D do ambiente ao seu redor e conseguisse
navegar por qualquer ambiente.”
Fonte: http://epocanegocios.globo.com
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