Integrantes do 'Movimento Meu Recife' doaram 100 pratos de comida, nesta terça-feira (9), a moradores de rua, em um ato realizado no pátio da Câmara Municipal, no Centro da cidade.



Um grupo de 30 manifestantes entregou quentinhas para moradores de rua do Recife, nesta terça-feira (9), para exigir o fim do auxílio-alimentação dos vereadores. Os 39 parlamentares da capital pernambucana recebem R$ 3 mil de tíquete e chegaram a aprovar, no fim de abril, um reajuste de 53%, que foi revogado na semana passada


A doação de 100 pratos de comida, ao custo de R$ 10 cada um, simbolizou o gasto médio diário dos trabalhadores da cidade na hora do almoço. As marmitas foram montadas em um espaço na Câmara Municipal, na área central da cidade, e entregues no pátio da sede do Legislativo, sob muita chuva.
"A gente sabe o quanto que tem que esticar nosso dinheiro e, às vezes, chega no fim do mês e você não tem como comprar uma quentinha. Enquanto um vereador, que já ganha R$ 15 mil por mês, tem um auxílio-alimentação de R$ 3.095. Isso é desperdício do dinheiro público. A população não vai mais tolerar, ainda mais nesse momento de crise", declarou Camila Fernandes, integrante do 'Movimento Meu Recife', responsável pela manifestação.

De acordo com Karla Falcão, integrante do 'Movimento Livres', a coordenação da Infraestrutura da Casa José Mariano teria proibido o grupo de realizar a entrega a população no espaço interno do Poder Legislativo. "Eles disseram que não podia entrar com comida aqui",obsrevou.
Antes de iniciar a entrega das marmitas, parte dos manifestantes percorreu os gabinetes dos vereadores para entregar um documento e pedir que eles desistamdo auxílio. "A gente entregou um pedido formal da sociedade civil. Não fomos recebidos por nenhum vereador e olha que tem parlamentar aqui", contou Isabel Albuquerque, coordenadora do 'Movimento Meu Recife'.

Enquanto as quentinhas eram preparadas, o 3º secretário da Casa José Mariano, o vereador Jairo Britto (PT), conversou com a imprensa. Questionado sobre a possibilidade de renunciar ao auxílio-alimentação, disse que teria que analisar a questão.
"Muitos dos assessores fazem trabalhos nas comunidades e precisam almoçar. Não é um valor que entra só para o vereador. É um dinheiro que é distribuído para os assessores", afirmou. Ele garantiu que entregaria as quentinhas com os manifestantes. Entretanto, não foi visto no momento da distribuição.

Moradora de rua há quatro anos, Elieide Gomes, 28 anos, lamentou o fato de sobrar tanto para uns enquanto outros recebem quase nada. "É um absurdo esses vereadores, que já ganham bem por mês, terem mais esse dinheiro. Eu nem sei o que faria com tanto dinheiro para comer. Esse valor devia ser investido na saúde, educação e moradia", declarou.
Primeiro secretário da Câmara Municipal do Recife, o vereador Marco Aurélio (PRTB) disse que a Câmara está sempre aberta para o povo se manifestar e praticar a democracia.
Fonte: g1.globo.com/pernambuco