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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Da sátira à Fox News. A história da "bomba eletrónica" russa que afinal era falsa


Tudo começou num texto satírico. Terminou divulgado em jornais como sendo propaganda russa

Numa época em que as "fake news" (notícias falsas) estão na ordem do dia, devido à capacidade de produção que qualquer pessoa tem e o nível de propagação que a informação pode ter nas redes sociais, analisar um exemplo concreto é importante para perceber como tudo, pelo menos no caso apresentado, se processa.

A 12 de abril de 2014, num acontecimento que até levou o Pentágono a lançar um comunicado, o encontro entre um avião de guerra russo e um navio de guerra norte-americano no Mar Negro fez correr alguma tinta. E tal como acontece em muitas notícias falsas, o que se segue parte de alguma verdade que depois foi destorcida.

Três anos depois, a história reapareceu, completamente modificada, num programa da televisão russa. Daí, chegou a jornais ingleses e até à Fox News. A nova versão era que o avião teria uma "arma eletrónica" que poderia desligar todos os sistemas do Donald Cook, o navio norte-americano.

Tudo começou no Facebook

E como é que tudo se desenrolou? Primeiro, nos dias a seguir ao incidente no Mar Negro, um escritor russo, Dmitri Sedov, escreveu um artigo de opinião, com tons de sátira, em que imaginava o incidente como sendo um ataque eletrónico e descrevendo o suposto pânico de um dos membros da tripulação, explica o The New York Times.

Era então uma suposta carta de John, um norte-americano, para Mary, a sua amada.

Televisão russa

Depois de muito partilhada no Facebook, de modo a criar tráfego para o artigo original, o texto chegou à televisão russa. A 15 de abril de 2017, o programa "Vesti", disse que, em 2014, o avião russo usou a suposta arma eletrónica para "desativar todos os sistemas" do Donald Cook. A fonte principal? A publicação (ficcional) de John.

O "Vesti" citou ainda declarações de um antigo comandante dos EUA na Europa, dizendo que a arma usada poderia paralisar mísseis, aviões e navios norte-americanos (o Pentágono disse então que Frank Gorenc, a pessoa citada, nunca tinha dito nada nesse sentido).

História chega aos jornais ingleses...

Pegando na história que passou na televisão russa, dois jornais britânicos, o The Sun e o The Daily Star, publicaram, a 19 de abril, notícias sobre a suposta "bomba eletrónica" que pararia os norte-americanos.

O The Sun, porém, chamou à situação "propaganda bizarra" e citou o Pentágono a negar as declarações de Frank Gorenc.

Mais tarde, o The Daily Express também pegou na "notícia", sugerindo que a III Guerra Mundial podia estar a chegar.

...E à Fox News

A Fox News, o canal de televisão preferido do presidente Trump, pegou na versão do The Sun e contou a história, referindo novamente ser um exemplo de propaganda russa. Refet Kaplan, editor da FoxNews.com, disse que a história era considerada como sendo mais um exemplo das "hipérboles dos media russos".

"Russia diz que pode destruir a Marinha dos EUA como uma 'bomba eletrónica", lia-se no título da Fox News, que entretanto apagou a notícia do seu site.

Daqui a história foi amplamente partilhada e divulgada nas redes sociais e em sites especializados em temas anti-americanos, anti-globalização e ainda em sites de teorias da conspiração.


Pelo menos desta vez, conseguimos saber como uma paródia se transformou numa "notícia" que chegou a meios de comunicação lidos em todo o planeta.
Fonte: http://www.dn.pt/mundo

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